Associação
Brasileira
de Arte

Fundada em 14 de Fevereiro de
2009 - CNPJ: 010.745.010/0001-00
Produção e Criação:
Dia do artista plástico
O dia do artista plástico é 8 de maio.
A escolha é uma homenagem a um artista plástico de nome José Ferraz de Almeida
Júnior, que nasceu no dia 8 de maio de 1851, na cidade de Itu, no interior de
São Paulo.
O pintor, que iniciou sua carreira na Academia Imperial de Belas Artes e depois
foi estudar em Paris, capital cultural do mundo naquela época, retornou ao
Brasil e é considerado um marco importante no desenvolvimento da arte no nosso
país.
Sobre José Ferraz de Almeida Junior
José Ferraz de Almeida Júnior (Itu, 8 de maio de 1850 – Piracicaba, 13 de
novembro de 1899) foi um pintor e desenhista brasileiro da segunda metade do
século XIX. É frequentemente aclamado pela historiografia como o precursor da
abordagem de temática regionalista, introduzindo assuntos até então inéditos na
produção acadêmica brasileira: o amplo destaque conferido a personagens simples
e anônimos e a fidedignidade com que retratou a cultura caipira, suprimindo a
monumentalidade em voga no ensino artístico oficial em favor de um naturalismo.
Foi certamente o pintor que melhor assimilou o legado do Realismo de Gustave
Courbet e de Jean-François Millet, articulando-os ao compromisso da ideologia
dos salons parisienses e estabelecendo uma ponte entre o verismo intimista e a
rigidez formal do academicismo, característica essa que o tornou bastante
célebre ainda em vida.[2] De forma semelhante, sua biografia é até hoje objeto
de estudo, sendo de especial interesse as histórias e lendas relativas às
circunstâncias que levaram ao seu assassinato: Almeida Júnior morreu apunhalado,
vítima de
um crime passional.
A formação de Almeida Júnior
Almeida Júnior destacou-se em sua cidade natal, Itu, como artista precoce. Seu
primeiro incentivador foi o padre Miguel Correa Pacheco, quando o pintor ainda
trabalhava como sineiro na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Candelária, para a
qual produziu algumas obras de temática sacra.
Uma coleta de fundos organizada pelo padre forneceu as condições para que o
jovem artista, então com 19 anos de idade, pudesse embarcar para o Rio de
Janeiro, a fim de completar seus estudos.
Em 1869, Almeida Júnior encontrava-se inscrito na Academia Imperial de Belas
Artes. Foi aluno de Jules Le Chevrel, Victor Meirelles e, possivelmente, Pedro
Américo. Diversas crônicas relatam que seu jeito simplório e linguajar matuto
causavam espanto aos membros da Academia.
Nas palavras de Gastão Pereira da Silva:
Era o mais autêntico e genuíno representante do tradicional tipo paulista. Mas
sem nenhum traquejo de homem de cidade.
Falava como os primitivos provincianos e tal qual estes vestia-se, andava,
retraía-se. Mas isso não impediria que fizesse um curso brilhantíssimo,
durante o qual recebeu diversas premiações em desenho figurado, pintura
histórica e modelo vivo, inclusive, em 1874, a grande medalha de ouro
com o quadro Ressurreição do Senhor.
Após concluir o curso, Almeida Júnior optou por não concorrer ao prêmio de
viagem à Europa. Retornou a Itu e abriu ateliê nessa cidade,
passando a trabalhar como retratista e professor de desenho.
O pintor em Paris
Em 1876, durante uma viagem ao interior paulista, o Imperador D. Pedro II,
impressionado com seu trabalho, ofereceu pessoalmente a Almeida Júnior
o custeio de uma viagem a Europa, para aperfeiçoar seus estudos. No ano
seguinte, um decreto de 23 de março da Mordomia da Casa Imperial abriu um
crédito de 300 francos mensais para que o pintor fosse estudar em Roma ou Paris.
Em 4 de novembro de 1876, Almeida Júnior embarca no navio Panamá rumo à França,
fixando residência no bairro parisiense de Montmartre. No mês seguinte,
matricula-se na École National Supérieure des Beaux-Arts. Nesta instituição, foi
aluno de Alexandre Cabanel e de Lequien Fils, notabilizando-se, desde muito
cedo, em desenho anatômico e de ornamentos.
Almeida Júnior participou de quatro edições do Salon de Paris, entre 1879 e
1882. É desse período que datam algumas de suas maiores obras-primas,
como O Derrubador Brasileiro e Remorso de Judas (Salon de 1880), A Fuga para o
Egito (Salon de 1881) e O Descanso do Modelo (Salon de 1882).
Outras obras emblemáticas do período francês do pintor são Arredores de Paris e
Arredores do Louvre, além de, possivelmente, um conjunto de dezesseis
telas retratando o bairro de Montmartre, cuja localização é atualmente
desconhecida.
Almeida Júnior permaneceu em Paris até 1882. Nesse ano, fez uma breve viagem à
Itália, onde teve contato com os irmãos Rodolfo e Henrique Bernardelli.
A consagração no Brasil
De volta ao Brasil em 1882, Almeida Júnior realiza sua primeira mostra
individual na Academia Imperial de Belas Artes, exibindo sua produção
parisiense. No ano seguinte, abre seu ateliê na rua da Glória, em São Paulo, por
meio do qual irá
contribuir para a formação de novas gerações de pintores, dentre os quais, Pedro
Alexandrino. Em São Paulo, Almeida Júnior promoveu vernissages exclusivas para a
imprensa e potenciais compradores. Executou retratos de barões do café, de
professores da Faculdade de Direito e de partidários do movimento republicano,
além de paisagens e pinturas de gênero. Sua atuação como artista
consagrado em São Paulo contribui decisivamente para o amadurecimento artístico
da capital paulista.
Em 1884, expõe novamente suas telas do período parisiense na 26ª Exposição Geral
de Belas Artes da AIBA que foi a última e certamente a mais importante exposição
realizada no período imperial. Por ocasião de seu envio, o crítico de arte Duque
Estrada, teceria o seguinte comentário:
Almeida Júnior é o mais pessoal e, sem dúvida, um dos que melhor sabem
expressar, com toda clareza e nitidez de um estilo à Breton, os assuntos
tomados de improviso a uma página da Bíblia, da História, ou simplesmente da
vida de todos os dias e de todos os homens.
Em 1884, o pintor recebe o título de Cavaleiro da Ordem da Rosa, concedido pelo
governo imperial. No ano seguinte, recusa o convite de Victor Meirelles
para ocupar sua vaga de professor de pintura histórica da Academia, permanecendo
em São Paulo. Entre 1887 e 1896, realiza outras três viagens à Europa, a última
delas em companhia de seu discípulo, Pedro Alexandrino, então agraciado com uma
bolsa de estudos do governo paulista.
No seu último período, Almeida Júnior irá progressivamente substituir os temas
bíblicos e históricos pelas obras de temática regionalista,
justamente as que lhe granjeariam no futuro sua posição de precursor do Realismo
na história da arte brasileira.
Em pinturas como Caipira Picando Fumo (1893), Amolação Interrompida (1894) e O
Violeiro (1899), o artista revela seu desejo de aproximar-se do cotidiano do
homem do interior, distanciando-se das fórmulas generalistas da pintura
acadêmica e aproximando-se cada vez mais da abordagem pictórica naturalista. Não
obstante sua nova orientação estilística, seu prestígio permanece inconteste na
Academia, que expõe obras de sua fase regionalista (Leitura e Piquenique no Rio
das Pedras, 1892) e lhe concede a medalha de ouro por A Partida da Monção
(1894), exposta no Salão de 1898.
O assassinato
Almeida Júnior morreu precocemente, aos 49 anos, em 13 de novembro de 1899. Foi
apunhalado em frente ao Hotel Central de Piracicaba,
hoje já demolido, por José de Almeida Sampaio, seu primo e marido de Maria Laura
do Amaral Gurgel, com quem o pintor manteve um relacionamento
secreto por vários anos.
O Dia do Artista Plástico brasileiro é comemorado a 8 de maio, data de
nascimento do pintor.
FONTES:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Almeida_J%C3%BAnior
SILVA, Gastão Pereira da. Almeida Junior. Sua vida e sua obra. São Paulo:
Editora do Brasil, 1946.
LOBO, Chiquinha Neves. `Pintores de minha terra. São Paulo: sem edit., 1950.
AZEVEDO, Vicente de Paulo Vicente de. Almeida Junior. O romance do pintor. São
Paulo: Editora Própria, 1985.
LOURENÇO, Maria Cecília França et al. A Pinacoteca do Estado. São Paulo: Banco
Safra, 1994. 28-41 p.
MARQUES, Luiz. Catálogo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand: Arte
do Brasil e demais coleções. São Paulo: Prêmio, 1998. 24-27 p. vol. IV.
LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de
Janeiro: Artlivre, 1988.
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